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Artigos, Técnicas e Idéias
Artigos : Design : Composição - Fundamentos do Alfabetismo Visual
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Composição - Fundamentos do Alfabetismo Visual

Por: Fernanda Marini em 2005-02-04
Este artigo foi visitado 98446 vezes.

1. Introdução

O processo de composição é o passo mais difícil na solução dos problemas visuais. O resultado de decisões compositivas determina o objetivo e o significado da manifestação visual e têm fortes implicações com relação ao que é recebido pelo espectador. É nessa etapa vital do processo criativo que se exerce o mais forte controle sobre seu trabalho e se tem a maior oportunidade de expressar, em sua plenitude, o estado de espírito que a obra se destina a transmitir.
As regras são definidas: tudo que se tem de fazer é aprendê-las e usá-las inteligentemente.
Colocando de forma simples, criamos um “design” a partir de inúmeros elementos visuais: linha, cor, forma, direção, textura, escala, dimensão, movimento; relacionamos interativamente estes elementos. O resultado é a composição, a intenção do artista.

2. Equilíbrio

O equilíbrio é a referência visual mais forte da percepção dos elementos em uma composição.
Na expressão ou interpretação visual, o processo de equilíbrio impõe a todas as coisas vistas e planejadas um “eixo” vertical, com um referente horizontal secundário. Esse eixo visual também é chamado de eixo sentido, que melhor expressa a presença invisível do eixo no ato de ver.





3. Tensão

Muitas formas parecem não ter estabilidade. O círculo é um bom exemplo. Parece o mesmo, seja como for que o olhemos, lhe conferimos estabilidade impondo o eixo vertical que determina o seu equilíbrio e acrescentando logo em seguida a base horizontal como referência que completa a sensação de estabilidade.
Esse processo de ordenação é inconsciente. Tanto para o emissor, quanto para o receptor da informação visual, a falta de equilíbrio e regularidade é um fator de desorientação. Em outras palavras, é o meio visual mais eficaz para criar um efeito em resposta ao objetivo da imagem. As opções visuais são polaridades, tanto de regularidade quanto de simplicidade de um lado, ou variação complexa e inesperada de outro. A escolha entre essas opções determina a resposta relativa ao espectador, tanto em termos de repouso e relaxamento, quanto de tensão.
É preciso muita atenção e cuidado para se utilizar uma composição instável e criar efeito de tensão. Isso pode perturbar o espectador.











4. Nivelamento e Aguçamento

A estabilidade e a harmonia são polaridades daquilo que é visualmente inesperado e daquilo que cria tensões na composição. Em psicologia, esses opostos são chamados de nivelamento e aguçamento. Num campo visual retangular, uma demonstração simples de nivelamento seria colocar um ponto no centro geométrico de um traçado estrutural.
A posição do ponto, como é mostrado nas figuras, não oferece nenhuma surpresa visual; é totalmente harmoniosa.
A colocação do ponto no canto direito, provoca um aguçamento.
Em termos visuais, sua posição não é clara, e poderia confundir o espectador que, inconscientemente, pretendesse estabilizar sua posição com um equilíbrio relativo.
As formas visuais não devem ser propositalmente obscuras; devem harmonizar ou contrastar, atrair ou repelir, estabelecer relação ou entrar em conflito.







5. Atração e Agrupamento

É uma condição visual que cria uma circunstância de relacionamento e envolvem interação entre os elementos.
Um ponto isolado em um campo relaciona-se com o todo, mas ele permanece só e a relação é um estado de interação entre ele e o quadrado.





Já neste outro caso, os dois pontos disputam a atenção em sua interação, criando manifestações comparativas e individuais devido à distância que os separa e, em decorrência disso, dando a impressão de se repelirem mutuamente.





Nesta outra figura há uma interação imediata e intensa; os pontos se harmonizam e, portanto, se atraem. Quanto maior for sua proximidade, maior será sua atração.





Na linguagem visual, os opostos se repelem, mas as semelhanças se atraem. O relacionamento é automático e com maior força às unidades semelhantes.





Nestas figuras, a similaridade demonstrada é a forma, mas muitas outras afinidades visuais regem a lei do agrupamento no ato de ver, tais como o tamanho, a textura ou o tom.





6. Positivo e Negativo

A importância do positivo e negativo relaciona-se ao fato de haverem elementos separados e ainda assim unificados.
As figuras demonstram que positivo e negativo não se referem absolutamente à obscuridade e luminosidade. Quer se trate de um ponto escuro num campo luminoso, ou de um ponto branco sobre fundo escuro, o ponto é a forma positiva, a tensão ativa, e o quadrado é a forma negativa.





Um exemplo perfeito de contraste simultâneo é o símbolo chinês yin-yang , seu estado visual negativo – positivo, nunca se resolve. Encontra-se mais próximo possível de um equilíbrio de elementos individuais que formam um todo coerente.





Fernanda Marini
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